O projeto “Conservador das Águas” garante o futuro de comunidades

Como eu cresci nas fazendas dos meus avós e tios, aprendi desde cedo que a gente precisa conservar e preservar o que tem na propriedade, senão, uma hora vai faltar. Ter água em abundância é um dos dilemas de muitos produtores rurais. E falo de água para uso pessoal, para cozinhar, limpeza, para servir aos animais, ou seja, para tudo. Tem hora que não adianta ter caixa grande, caimento de terreno se não tem água na mina.

Por isso, enquanto estive como prefeito de Caldas, uma das coisas que eu prospectei e realizei, foi conseguir conciliar a agricultura com a preservação do meio ambiente, focado na recuperação das nascentes de água do município. Uns anos antes, eu tinha assistido à uma reportagem no Globo Rural sobre a revitalização de nascentes que me chamou muito a atenção. Então, na hora que assumi o executivo, pensei: -Chegou a hora de Caldas dar esse importante passo para a sustentabilidade do meio ambiente.  

A origem do projeto

Inovamos ao trazer para o município o projeto “Conservador das Águas”. O programa iniciado na cidade de Extrema (MG), e depois implantado em Caldas, visa preservar e recuperar áreas que conservam importantes mananciais de abastecimento com a revegetação local. O proprietário das terras com mananciais de abastecimento recebe um pagamento pela preservação do local, se tornando um “produtor de água”.  Hoje o projeto aplicado em Caldas é exemplo e está sendo instituído em cidades vizinhas.

Eu mesmo já presenciei emocionado uma grota cercada de árvores nativas se impondo no que era antes, um pasto de braquiária com nascente a céu aberto. O processo de recuperação ambiental se concretizou.

Para quem ainda não conhece o projeto, na prática, são assinados contratos com as propriedades rurais e, após a adesão, executam-se ações de restauração como o plantio de árvores nativas, implantação de bacias de contenção para a água da chuva e a construção de terraços.

Os pagamentos são realizados mensalmente após o relatório expedido pela Secretaria ou divisão do Meio Ambiente, atestando o cumprimento das metas. O não cumprimento das metas acarretará a interrupção do apoio financeiro.

Preservação da natureza é fundamental

Os ambientalistas, biólogos e pesquisadores já chancelaram que a restauração do entorno de rios e nascentes é uma prática necessária, urgente e que gera resultados efetivos.  

As florestas e matas, em especial as que margeiam os rios e nascentes, desempenham um papel essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a qualidade e quantidade de água. A ausência de cobertura florestal nas margens dos rios e nascentes prejudica esse equilíbrio: em períodos de estiagem, pouca água acaba fluindo nos leitos e, nas épocas de chuvas, ocorrem enchentes e enxurradas. As florestas nesses locais funcionam como uma espécie de esponja – absorvem e liberam aos poucos a água da chuva, alimentando o lençol freático e, em consequência, os cursos de água na região.

O mesmo ocorre com os topos de morro. Esses funcionam quase como caixas d’água, armazenando a água da chuva. Se não há árvores nessas áreas, a água desce sem se infiltrar no solo. As práticas do projeto Conservador das Águas, como a construção de terraços, bacias de captação de chuva e adequação de estradas próximas, buscam reverter esse processo.

 O Projeto “Conservador das Águas” é um bom exemplo de como uma política pública de longo prazo pode apresentar resultados satisfatórios. Um projeto de lei nacionalizando essa prática, pode beneficiar o país quanto à preservação do meio ambiente, ao proteger o solo e a biodiversidade, ajuda a melhorar o clima e a qualidade da água, e ao mesmo tempo, desenvolve uma economia florestal, gerando emprego e renda para comunidades rurais. Ao “engordar as nascentes”, o produtor rural passa a produzir água não só para desfrute particular, mas em benefício público.

Eu soube colocar em prática e sei que é possível todo município aderir a um programa como este. Com boa vontade, uma boa gestão e leis eficazes, podemos pensar em um futuro melhor.

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